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Há anos eu sonhava em ter uma sorveteira, essas máquinas fantásticas que são caríssimas no Brasil e bem baratas nos EUA e na Europa. Em novembro do ano passado minha querida amiga-irmã Taline Schubach veio de Barcelona e fez a gentileza de trazer uma sorveteira pra mim. Um trambolhão, mas ela atravessou o mar e trouxe feliz da vida (pausa para sorrir! : ))) .

Eu queria a máquina para fazer sorvetes sem leite e derivados, já que aqui em casa temos uma dificuldade de relacionamento com a proteína do leite. Achei que seria fácil. Sonhei com um festival imediato de sorvetes de leite de amêndoas, com frutas, cacau, café e baunilha. Achei que logo, logo veria minha filha tomar sorvete à vontade sem ficar doente depois. O sonho durou pouco. Bastou começar a testar as receitas para ver que as coisas não seriam tão fáceis.

Entendam bem: a questão não é a máquina.  Existem receitas ótimas com base de creme de leite e iogurte, fáceis de fazer e vale a pena comprar sorveteira, sim. Nos blogs Quiche de Macaxeira e no Chucrute com Salsicha você encontra ideias fantásticas, vá em frente! O meu caso é bem mais complexo: eu quero um sorvete gostoso, cremoso, bonito, sem leite, sem ovos, sem gordura vegetal hidrogenada, sem conservantes e outros “antes” e sem derivados da soja. Quem mandou nascer toda diferente?

O sorvete a que fui (fomos!) acostumada a comer desde criança é ultra cremoso, brilhante, rende bolas firmes que demoram um bocadinho a derreter, bem doces, com sabores e cores acentuados. Só depois de muitas tentativas frustradas e buscas por receitas, descobri que sorvete só fica cremoso se tiver muita gordura – leia-se creme de leite, leite integral e/ou gema de ovo. Descobri também que aquela explosão de cor e sabor não vem das frutas naturais. Tem corante, flavorizante e aromatizante, sim. E muito. Ficam firmes por causa dos emulsificantes, da liga neutra, coisas que eu não quero usar.

Parti para a pesquisa. Os vegans americanos dão um show e por causa deles fui descobrindo coisas incríveis. Por exemplo: existe uma sorveteria em Nova York chamada Stogo especializada em sorvetes sem leite e sem ovos. A variedade de sabores é imensa. Em Boston tem a Wheeler´s, também especializada no tema. Eles são tão bons que lançaram o livro The Vegan Scoop (foto acima), com 150 receitas de sorvetes veganos.  Uma esperança, enfim! O fundador dessa sorveteria é um jamaicano chamado Wheeler Del Torro, no momento, meu ídolo (clica aqui !) 

Nessa busca por um mundo de blogs sem fim, descobri que nos EUA e em outros países existe o creme de leite de amêndoas – que garante a cremosidade que o sorvete precisa. Descobri também que a fécula de mandioca pode ajudar a deixar o sorvete cremoso. E que o ideal é fazer a receita a partir de uma geléia da fruta, para intensificar o sabor. O leite de coco é um aliado, com gordura do bem. Dentre outros segredinhos, que estou testando e pondo em prática pouco a pouco.

Lamento muito por dizer isso, mas em cinco meses ainda não achei uma receita de sorvete do jeitinho que sonhei. Fiz uns muito bons usando o creme de soja, mas não é como eu quero. Vou tentar comprar o livro do jamaicano mágico.  Pedi ajuda à Luciana do Quiche de Macaxeira para testar algumas receitas que achei. E eu prometo: no dia em que eu conseguir meu sorvete perfeito, vocês serão os primeiros a saber. Tenho certeza de que existem muitas mães com filhos alérgicos à proteína do leite sonhando com um sorvetinho do bem pra ser feliz. : )

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* Atualização: consegui encomendar o “Vegan Scoop” pela Livraria Cultura, mas só chegará no final de maio. Aguardem!

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